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9 de janeiro de 2012

Treinamento é um esporte onde o aprendiz é um participante e não um espectador.


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Às vezes fala-se mal de treinamentos. Em algumas empresas, taxas de adesão são baixas (quando opcionais).

Eu não acho que as pessoas sejam intrinsecamente contra treinamentos.

Apenas não aguentam mais aquela coisa de sentar e assistir ao slide 1 de 458, 2 de 458, 3 de 458....

E isso dá para resolver.

É preciso realizar um bom design de conteúdo e não apenas distribuir o conteúdo dentro de uma grade horária.

É preciso prever uma série de ações, atividades, experiências, testes... Enfim, uma série de eventos pertinentes para que o público definitivamente concorde que o treinamento sim, valeu a pena, que aprendeu bastante, e que todo treinamento deveria ser sempre assim.

Treinamento eficaz é também otimização de recursos, pois um treinamento, digamos assim, convencional, tem tudo para ser um desperdício de tempo (de todos) e de recursos da empresa.

Existem muitas maneiras de se desenhar um treinamento eficaz, aumentando o grau de aderência e de retenção de conteúdos.

Todas passam por um bom planejamento, um bom design do que vai acontecer.

Mão-na-massa e nada de 1-de-458-slides são regras primordiais.

Dave Meier dá diversas dicas para isso no seu livro The Accelerated Learning Handbook. Vou destacar aqui o que ele chama de The Four Phase Learning Cycle ou, na minha livre tradução, As Quatro Fases do Ciclo de Aprendizagem.

Fases que servem para qualquer tipo de aula ou treinamento, seja de matemática, tecnologia, dança, teatro, música...

Fase 1 – Preparação

Quando um treinamento, uma aula, uma palestra começam, ninguém está interessado nela. O público levanta enormes barreiras, como “isso vai ser chato”, “olha só o jeito que esse cara fala”, “será que vamos abraçar árvores” e assim por diante.

A maior barreira é a experiência que todos têm de que aula é coisa chata e ponto.

Então é preciso mostrar que este treinamento não, ele é diferente, foi feito pensando no público, e tem diversas estratégias para que tudo aconteça de forma agradável e, indubitavelmente eficiente.

É preciso preparar o terreno, para uma boa plantação.

Como fazer isso?

Deixe claros os objetivos, mostrando o que eles vão ganhar com isso.

Crie um ambiente acolhedor, com almofadas, música, aromas, painéis em branco para serem preenchidos por eles, ambientação World Café, guloseimas....

Troque o “vai ser chato, mas necessário” por “será estimulante”, “vai valer super a pena”, “vocês vão adorar o que vai acontecer aqui hoje” e, principalmente, desperte a curiosidade de todos.

Fase 2 - Apresentação

As pessoas dedicam o maior tempo a esta fase. E ela não é o centro principal não. É apenas uma das coisas que precisam ser feitas num treinamento.

Bem, afinal de contas, há um conteúdo a ser apresentado. Então não tem como fugir do 1-de-458-slides? Tem sim.

Como fazer?

Primeiramente, reduza os 458 para uns 30 slides, deixe-os bonitos, agradáveis de se ver, pertinentes e com um roteiro muito bem desenhado.

Depois, não fale muito. Faça um misto entre apresentação com experimentação.

Intercale exposição com testes, com dinâmicas, por exemplo.

Faça grupos, deixe-os debater o que você falou. Em duplas, “discutam o que foi dito aqui e expliquem um para o outro”.

Utilize o sistema de World Café, ferramentas, brinquedos, cartazes, painéis em branco, canetas pilot, post it... Seja mais lúdico e planeje participatividade na sua apresentação.

Existem diversas maneiras de se fazer uma apresentação sem massacrar a audiência com um discurso unidirecional.

Fase 3 – Prática

Mão na massa, como eu disse, tem que ser o mote do evento. É preciso praticar logo, para o cérebro decorar, guardar, reter.

Essa fase pode vir depois da apresentação ou, melhor ainda, intercalada com diversos blocos de apresentação. Especialmente quando ela precisa ser muito extensa, quando há muito conteúdo a passar.

Como fazer?

Dinâmicas, jogos, competições... Sempre com pertinência, nada de fazer dinâmica só para ter dinâmica. Tem que ser eficiente, fazer sentido no contexto do treinamento, do conteúdo que está sendo apresentado.

Podem ser feitas teatralizações, reflexões individuais, em duplas, em grupos.

Debates em grupo para depois serem compartilhados com a sala, baralhos, painéis, post it...

Por exemplo, fale por no máximo 20, 30 minutos, com uma apresentação bem roteirizada, bem desenhada com um Power Point enxuto, com pouco texto.

No fim, peça para os grupos discutirem o que foi falado e que escrevam os principais pontos de ensinamento e como deve ser colocado isso em prática.

Após a reflexão, discuta as ideias entre toda a classe.

Anote as ideias e cobre-as em situações pós evento, como veremos a seguir,
na fase 4.

Fase 4 – Desempenho

O treinamento empresarial é para algo prático, algo para ser usado. E, se não for usado logo, será esquecido.

Portanto, nada melhor do que alguma continuidade, algum pós-treinamento.

Isso pode ser feito por meio de um coaching ou um mentoring continuado e periódico.

No evento, pode ser feito um plano de ação e esse plano ter índices, KPIs (Key Performance Indicator) que serão averiguados periodicamente.

Podem ser feitos encontros para averiguação de andamentos, de dúvidas de adequação do que foi aprendido com o que acontece na vida real.

Programas pela internet, como blogs, intranets com espaço para “melhores práticas” ou com “o que eu já apliquei do treinamento”, podem também ser muito úteis.

Ou, como no exemplo dado na Fase 3, acima, envie por e-mail as ideias levantadas no debate que foi feito no fim da sua apresentação, como lembrete e cobre as ações que disseram que seriam tomadas.

4 fases para um treinamento mais eficaz:

1 - Preparação da audiência, porque de início, todos estão com o pé atrás.

2 - Apresentação, de forma dinâmica, participativa e o menos possível unidirecional.

3 - Prática, que pode ser intercalada com a apresentação, com dinâmicas, testes, enfim, com atividades mão na massa.

4 – Desempenho, um pós evento que garanta e averigue a aplicação do que foi aprendido.

Lembre-se que, na andragogia, como diz Dave Meier, o aprendizado não é uma absorção passiva de informações, mas a ativa criação de conhecimentos e habilidades.

Ainda citando este autor, fale mais em aprender do que em ensinar. O papel do instrutor é facilitar o aprendizado e não ficar ensinando.

Afinal, treinamento é um esporte onde o aprendiz é um participante e não um espectador.

José Rodrigues Passarinho

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