Você já deve ter ouvido falar que, numa comunicação, a percepção do ouvinte se dá 7% pela palavra, 38% pela entonação e 55% pela comunicação não verbal.
Pois é, o que talvez você não tenha ouvido falar é que isso é um mito!!!
Sim, vou explicar melhor.
A pesquisa realmente existe, foi feita por Albert Mehrabian, em 1967. Mas ela foi muito mal interpretada e essa conhecida fórmula 7-38-55 foi difundida mundialmente.
Na pesquisa, Mehrabian tocava a gravação de uma palavra falada em diversas tonalidades e pedia para que fosse definido como essa pessoa da gravação estava se sentindo.
Num primeiro estudo, Mehrabian tocava a palavra e o ouvinte definia o sentimento, levando em consideração dissonâncias como a palavra “brute” dita em tom suave.
Num segundo estudo, a palavra era neutra, como “maybe”, dita em diversos tons, e associada a imagens com diferentes expressões.
Foi assim que ele chegou à fórmula.
O próprio Mehrabian divulgou que essa pesquisa se referia a uma pessoa falando sobre seus sentimentos e atitudes e que não haveria provas de que a fórmula também funcionaria se o apresentador estivesse falando de qualquer outro assunto.
Existe até uma campanha mundial para que esse mito seja derrubado.
Descobri tudo isso no blog de Olivia Mitchell, uma consultora em apresentações da Nova Zelândia, que eu encontrei na minha pesquisa para o Workshop sobre Roteiro e Apresentação que estou preparando junto com Joyce Baena da LaGracia Design.
O artigo é de 2009, e tem uma série de referências de outros blogs que tentam desmistificar o assunto. Confira.
Seja como for, uma coisa não muda. Só o conteúdo não é suficiente em uma apresentação.
Se você achar o contrário, que o conteúdo é tudo em uma apresentação, entregue um texto escrito para seu público, não precisa nem apresentar.
Entonação de voz, elementos visuais, estórias, exemplos, performance... Tudo ajuda e muito a melhorar uma apresentação e a alcançar seus objetivos, sejam eles quais forem (convencimento, venda, relatórios, estatísticas etc.).
E, evidentemente, qualquer acréscimo tem que ser totalmente pertinente ao assunto.
Quer um exemplo? Até uma apresentação de estatísticas, gráficos e tendências pode ser muito interessante, como prova Hans Rosling, nessa apresentação que ele fez no TED, que está aí embaixo:
Se ele apresentasse apenas o (excelente) conteúdo, pouca gente teria assistido este vídeo (ou mesmo a apresentação ao vivo) até o fim.
José Rodrigues Passarinho
Acrescento o vídeo sugerido pelo Luiz, nos comentários, que é também muito esclarecedor sobre o tema:
2 comentários:
Estes dias assisti a um vídeo sobre o tema, veja:
http://youtu.be/7dboA8cag1M
Luiz, sensacional o filme, recomendarei a todos.
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