Quantos treinamentos você já participou que começaram assim:
Bem pessoal, hoje vai ser um dia difícil, mais vai valer a pena.
Temos milhões de coisas para ver e muito pouco tempo.
Vai ser difícil, dia cheio, dia duro, mas vamos lá.
E como você sentiu depois de ouvir isso. Motivado? Duvido.
E aquele momento mágico que o apresentador mostra um gráfico imenso, cheio de colunas e repleto de números minúsculos. Daí ele pega sua espada de “Jedai”, ou seja, seu laser point e fatia o slide todo e ainda por cima diz: “esse gráfico é muito importante, aqui tem tudo que vocês precisam saber”. Você olha e pensa... jura???? Não estou enxergando nada!!! Quer parar de agitar esse laser point e parar em algum lugar que queira destacar???
Quem disse que para aprender alguma coisa a gente tem que sofrer? Sabem quem disse? Nossa experiência. Nossa escola é assim. A gente sofre para estudar, para fazer prova, para apresentar trabalhos. E é por isso (ou pelo menos esse é um grande motivo) que os modelos educacionais estão em cheque, com alunos desmotivados.
Só que a gente vira adulto, vai para o treinamento da empresa e de novo querem que a gente sofra para aprender.
Não, não precisa ser assim. Pode ser prazeroso. Até porque, o que eu vou aprender em um treinamento deveria servir para eu trabalhar melhor e, no caso de vendas, para aumentar meus bônus, minhas comissões. Ou seja, em essência, é bom para mim.
E não é só uma questão de ser chato, mas sim, de ser i-ne-fi-ci-en-te.
Como é que criança aprende? Aprende mexendo, se mexendo, experimentando, observando, participando do seu aprendizado. O corpo aprende, não é só a cabeça. É preciso estimular audição, fala, observação, tato, movimentos...
Como fazer?
Comece com uma abertura estimulante, que exija movimentação. Pode ser um simples “cumprimente seus colegas da sala toda”.
Vá para o conteúdo e não, pelamordedeus não faça uma apresentação unidirecional de 532 slides... Faça apresentações em etapas, 20, 30 minutos no máximo e intercale com movimentos, debates, bricolagem, enfim, com alguma coisa que envolva o cérebro, as mãos e o corpo dos participantes.
Depois, faça exercícios com o tema exposto. Role play, painéis na parede, quebra-cabeças, quiz, world café...
E por último, pense na continuidade. Seções de retenção, intranet com quiz, dicas e verificações posteriores de aprendizado.
Não precisa ser chato. Pode e deve ser leve, objetivo e acima de tudo eficiente.
Envolva o corpo todo, não só o cérebro. O cérebro sozinho não faz o serviço direito.
Quer que seu pessoal não aprenda quase nada? Estimule apenas seus cérebros
José Rodrigues Passarinho
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