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15 de julho de 2011

Executar é preciso, reclamar não é preciso

 

No filme “Os Intocáveis”, de 1987, dirigido por Brian de Palma, Eliot Ness (Kevin Costner) quer pegar Al Capone (Robert de Niro).

Após uma tentativa fracassada de estourar um local de contrabando, Jim Malone (Sean Connery), o super escudeiro de Ness, pergunta para Eliot se ele quer mesmo estourar um local. Porque todo mundo sabia onde os bandidos estavam, o problema é quem realmente queria encarar todas as consequências de se meter com eles.

Eliot encara o desafio e estoura o local, repleto de bebidas ilegais. Daí em diante, Al Capone reage e Eliot sofre todas as consequências de ter se envolvido com ele. Mas ele encara o desafio e prende o bandido. Com dores, sacrifícios e até morte de amigos. Mas ele executa o que ele se propôs a fazer.

Sempre uso essa comparação, em meus treinamentos, para falar da importância da execução nas empresas.

Comunicação, liderança, processos, todo mundo sabe onde estão os problemas.

Pergunte a qualquer funcionário o que precisa mudar na empresa e ele vai te fazer uma lista enorme.

O problema é que este mesmo funcionário também vai te fazer uma lista enorme de culpados… E, claro, ele não faz parte de nenhuma destas listas.

Ele deveria estar no topo dela. Não como culpado, mas sim como o responsável por resolver ao menos as questões que se referem a ele, seu trabalho, seu departamento.

Execução com accountability, isso é o que mais se quer em uma empresa.

Accountability é aquele estrangeirismo que os consultores babam ao falar que não tem tradução.

Tem sim. Accountability quer dizer “deixa comigo”. Mas não aquele que quer dizer “deixa comigo que nada vai acontecer” e sim o “deixa comigo que isso vai rolar, pode confiar, vou me responsabilizar, falar com quem tiver que falar, me dedicar o quanto for preciso, envolver quem tiver que ser envolvido, convencer, motivar e executar da melhor maneira”.

Dá trabalho. Eliot Ness também teve muito trabalho. Mas fez o que tinha que fazer.

José Rodrigues Passarinho

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