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Depois de anos atuando como palestrante, professor e apresentador, descobri que não é esse o papel de um instrutor na educação de adultos, na andragogia.
Evidentemente, ainda há espaço para a palestra, para a aula unidirecional, mas isso é cada vez mais restrito às necessidades de algum grupo específico, ou de um aluno.
Mas de um modo geral, esse unidirecionamento não costuma funcionar muito bem para educação de adultos, especialmente nos treinamentos corporativos.
Se quiser saber mais sobre andragogia, veja postagem específica no meu outro blog, slidexperience.com.br.
A educação para adultos exige novas técnicas de aprendizagem. Ela se torna mais um empreendimento cooperativo do que autoritário ou formal.
Neste contexto, muda muito o papel do professor. Ele não é mais o oráculo, que fala do alto da sua autoridade, mas sim o guia, aquele que indica o caminho. No fundo, ele também participa do aprendizado. Por isso, são os menos orgulhosos, os que tem capacidade de exercitar a humildade que se tornam melhores facilitadores.
A coisa chega a um ponto que, em uma boa turma, quase não se distingue o facilitador dos aprendizes.
O facilitador tem algumas funções, como definir o clima do grupo, gerar confiança mútua entre ele e os alunos e entre os próprios alunos, gerando um ambiente livre e seguro para dúvidas, conflitos e debates. Ele organiza e oferece recursos para a aprendizagem, como textos, referências, pessoas convidadas e equipamentos.
Ele se vê como um recurso flexível para o aprendizado, às vezes como um conselheiro, outras mesmo como um palestrante, um orientador, alguém que apenas tem mais experiência na área.
O facilitador toma a iniciativa em compartilhar experiências com o grupo e ensina por meio da investigação. Pergunta mais do que fala e prefere perguntas divergentes, não aquelas que direcionam a resposta ou apenas complementam o texto, o seu raciocínio. O questionamento é uma ferramenta para abrir mentes e sua aula é desenvolvida de acordo com as respostas dos alunos. É estimulada uma maior interação aluno-aluno, muito mais do que aluno-professor.
E, principalmente, não resume no final da aula. Não diz algo do tipo “então, o que vocês queriam dizer é…” O que o grupo discutiu e aprendeu é soberano.
Enfim, o facilitador deixa de ser o chefe supremo, o ditador e passa a ser o líder nas atividades em grupo.
Tenho praticado isso com frequência, especialmente nas facilitações da Eagle’s Flight e tenho reparado um ganho significativo em aceitação, envolvimento, engajamento e aproveitamento dos grupos em que trabalhei como facilitador e não como professor.
E, confirmando a teoria, aprendo junto com os grupos, muito mais do que eles possam imaginar.
José Rodrigues Passarinho
1 comentários:
Anda postando pouco. Seu posts são sempre tão informativos e com temas agradáveis, gostei do Post: Por que apagar a luz em uma apresentação com Power Point?... Vamos lá!!! Post mais. Abçs
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